SUMÁRIO

A grande maioria dos brasileiros conhece o tango como uma cultura exclusivamente de origem argentina.  Na verdade, o tango também nasceu no Brasil na mesma época que nascia na região rioplatense.  Sem dúvida, esse fato explica o porquê de muitos brasileiros serem amantes do tango e apaixonados pela música e pela dança que cada vez mais cresce em nosso País, repetindo aqui o mesmo fenômeno que fez com que o tango argentino conquistasse boa parte do mundo, incluindo países da Europa, América do Norte e a Ásia.

Na época da formação do tango, tanto na região do Rio da Prata, Uruguai e Argentina, como no Brasil, as influências que deram origem ao tango criollo, mais tarde denominado tango argentino, foram as mesmas que deram origem ao tango brasileiro. Diversos tangos foram compostos no Brasil e na região rio-platense até que, em 1895, em Buenos Aires, surgiria a primeira composição de um tango criollo para piano, segundo o poeta Horacio Ferrer, numa regravação histórica em CD, que é trilha sonora de seu livro “El Siglo de Oro del Tango” - Manrique Zago Ediciones, Buenos Aires – 1996.  Ouvindo esse tango, deparamos com a incrível semelhança musical com os nossos chorinhos para piano de então, executados aqui no Brasil na mesma ocasião, por Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e, principalmente, por outros maestros contemporâneos.  Mais tarde, Nazareth resolveu mudar várias de suas 93 partituras conhecidas, de tango para chorinho, atendendo aos interesses das gravadoras.  Esse sincretismo musical pode explicar porque, desde Francisco Canaro a Mariano Mores, grandes maestros argentinos, assim como o grupo musical brasileiro Família Lima, executam chorinhos com andamento de tango e vice-versa, como é o caso do nosso Tico Tico no Fubá, um chorinho que é executado por eles como tango e como chorinho, demonstrando as semelhanças originais.

Esse é um tema apaixonante, um capítulo da cultura latina que o festival pretende resgatar e registrar na memória nacional.  Este Festival de Música e Dança consiste em eventos com atividades de cine-vídeo, literatura, teatro musical, palestras, artes plásticas e aulas, a preços populares e gratuitos, relacionadas ao tango, choro e o samba.  O III RIO TANGO FESTIVAL, além das atividades já mencionadas, realizará dois bailes (além do de abertura), não só para entretenimento e prática das aulas ministradas por professores internacionais e nacionais, mas também para mostrar os talentos renomados e emergentes do cenário artístico e cultural, tanto do Brasil quanto da Argentina. A música e a dança são dois elementos que têm o poder de reunir pessoas de várias camadas sociais e idades e é com base nestes dois elementos que procuramos elaborar este projeto, ao mesmo tempo artístico e cultural.

Fundo musical:  "Tango-Habanera", de Ernesto Nazareth